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Cometa 67P. Philae detecta indícios de vida extraterrestre

 
 
Fotografia de Vitor Teodoro
Cometa 67P. Philae detecta indícios de vida extraterrestre
por Vitor Teodoro - Sexta, 10 Julho 2015, 12:52
 

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Cometa 67P. Philae detecta indícios de vida extraterrestre


Elena Duvernay/Stocktrek Images


Autor diz ao i que as provas “inequívocas” de organismos no cometa apontam origem da vida na Terra.

Para os leigos, a descoberta ontem divulgado pelos cientistas Chandra Wickramasinghe e Max Wallis pode ser resumida assim:“Há 500 anos foi uma luta levar as pessoas a aceitar que a Terra não era o centro do universo. Mas depois dessa revolução a nossa forma de pensar continuou a ser centrada na Terra no que toca à vida e à biologia. Isso está profundamente enraizado na nossa cultura científica e vão ser precisas muitas provas para o conseguirmos alterar.”

As primeiras parecem ter chegado. Não foi há muito tempo que o robô Philae, transportado pela sonda Rosetta – que a Agência Espacial Europeia enviou para o espaço em Novembro –, quebrou um silêncio de meses. “Olá, Terra, consegues ouvir--me?”, foi a mensagem de 19 minutos enviada pelo Philae a 16 de Junho, confirmando que tinha estacionado no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. E duas semanas depois chegaram “provas inequívocas” de vida para além da Terra. 

Assim explicou ao i Wickramasinghe:“A comprovar-se, isto quer dizer que a vida foi trazida para o planeta Terra por cometas de impacto”, diz o astrónomo da Universidade de Cardiff, que é também professor honorário na Universidade de Birmingham. “A vida na Terra surge gravada em rochas pela primeira vez há 4 mil milhões de anos. Hoje sabemos que a Terra foi intensamente bombardeada por cometas, que também trouxeram água para formar os oceanos. O processo de os cometas trazerem bactérias e vírus para a Terra, contudo, não parou nessa altura. E foi essa entrada de micróbios de cometas que, ao longo do tempo geológico, controlou efectivamente a evolução da vida até à emergência dos hominídeos e do Homo sapiens [na Terra].”

Descoberta fulcral Oque o Philae permitiu que os astrónomos detectassem é que a crosta negra orgânica do cometa, gelada, parece esconder microrganismos no subsolo. “As erupções do cometa ocorrem à distância do Sol, a uma tal distância que não poderia ser isso a provocar a subliminação da superfície”, explica ao i. “Isso indica que existe vida microbiana na subsuperfície em bolsas de gases de alta pressão que criam fissuras no gelo e libertam partículas orgânicas” – as que a sonda Rosetta detectou e que se assemelham a “partículas virais”, no que o cientista britânico nascido no Sri Lanka diz serem “extremófilos”, semelhantes ao tipo de micróbios que habitam as regiões mais inóspitas do nosso planeta.

Com os dados recolhidos pelas sondas europeias, e através de simulações em computador, Wickramasinghe e Wallis, seu colega na Cardiff, apuraram a existência de sais anticongelantes produzidos pelos organismos, o que explicará a crosta negra e gelada do cometa 67P – microrganismos esses que podem estar activos a temperaturas tão baixas quanto 40 graus negativos, o que lhes permite sobreviver à dura travessia do espaço. “A superfície negra do cometa e o seu espectro de reflectividade correspondem a material biológico e sugerem provas independentes da presença, em grande abundância, de hidrocarbonetos aromáticos”, adianta ao i o astrónomo que passou os últimos 15 anos a preparar a missão da Rosetta e do Philae.