Sobre a Passarola de Bartolomeu de Gusmão...





"A passarola de Bartolomeu de Gusmão faz parte do imaginário nacional. O primeiro homem a voar teria sido português. O seu dirigível seria aquela barca elevada por ar quente, uma espécie de cesto onde cabiam homens e instrumentos.

No entanto, quem perceba um mínimo de física reconhece, imediatamente, que aquela construção não se poderia elevar nos ares. Que se passou, afinal?"


Para saber mais:



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"Sem forçarmos a nota de patriotismo podemos afirmar que Bartolomeu Lourenço de Gusmão foi o inventor dos aeróstatos. Não há dúvida nenhuma sobre a efectivação das suas experiências em Lisboa, durante as quais fez subir, ao ar, alguns balões feitos de arames, papel grosso e madeira fina. Também não há dúvida de que se serviu do fogo para os fazer subir. Seriam, portanto, balões de ar quente."


Rómulo de Carvalho, "História dos Balões".


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"Gusmão, a quem o rei entregou, além do alvará, as chaves da sua quinta em Alcântara, Lisboa, para nela construir e testar o anunciado engenho, não demorou a “pô-lo por obra”. O balão de Gusmão – pois do meio de transporte que hoje chamamos balão se tratava – foi, finalmente, demonstrado com sucesso diante de D. João V, no Paço Real, no Terreiro do Paço em Lisboa, a 8 de agosto de 1709. Fez, portanto, em 2009 precisamente 300 anos esse sucesso. As primeiras tentativas falharam por combustão do objeto voador ou de adereços da cena, mas a primeira experiência de ascensão ao longo de alguns metros de um objeto mais pesado do que o ar foi coroada de êxito, num evento que está inequivocamente documentado. Entre as conceituadas testemunhas de uma das ascensões efectuadas no interior do palácio, além da família real, contava-se o núncio italiano Michelangelo Conti, que haveria mais tarde de se tornar papa, tomando o nome de Inocêncio XIII. Conti contou, a 16 de agosto, em carta enviada por mala diplomática ao Vaticano, o que tinha presenciado: 

O sujeito, que se comunicou faz tempo pretendia de querer fabricar um engenho para voar, fez por estes dias a experiência na presença do Rei havendo formado um corpo esférico de pouco peso: mas como a virtude impulsiva ou atrativa parece ser constituída por espíritos [álcool], estes pegaram fogo, e queimou-se o engenho da primeira vez sem se mover da terra, e da segunda embora se elevasse duas canas, igualmente se queimou; onde ele, empenhado em fazer crer que que não corre perigo a sua invenção, está fabricando outro engenho maior."


Bartolomeu de Gusmão e o seu balão, Carlos Fiolhais


Para saber mais: 


Dissertação de Mestrado (Francisco Videira Louro, Engenharia Aeroespacial, IST-UL, 2014). Bartholomeu Lourenço de Gusmão’s Passarola Historical Background and Feasibility Analysis.

[Original disponível aqui]




Última alteração: Segunda, 1 Junho 2015, 22:40